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”(..)Porque a vida é feita para ser vivida. Nada de se perder tempo reclamando dos obstáculos, das pedras. A verdade é uma só, passe por tudo com fé e coragem, quanto mais fé e coragem, menos os obstáculos e pedras duram, mais rápidos passam. Então, vá, viva, aproveite para se aventurar, ninguém ganha a vida, descobre coisas e conhece pessoas ficando parado. Viage muito, conheça novos lugares, culturas, curta os amigos, as festas, o amor, as emoções, a família e tudo de bom que a vida oferece, esqueça os medos e não faça os problemas maiores do que realmente são. A vida é uma só, não perca tempo, arrisque-se, qualquer coisa é melhor do que não fazer nada.”
Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. “Que cara bonita é essa?” Já logo no elevador. “Ah, devo ter dormido bem.” “Bom dia, bom dia.” “Olha, você está muito bonita hoje.” Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. “O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa?” Na cozinha perguntam: “novo amor?” No estacionamento perguntam: “voltou com alguém?” No restaurante, na hora do almoço: “é alguém novo?” Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito… é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu aguento ouvir”. Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua… São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca.
E eu serei forte, mesmo se tudo der errado mais uma vez.
Você não me amava, apenas gostava da minha presença quando todos te deixavam. Você não me amava, apenas gostava de ver que alguém realmente se importava com o seu bem-estar. Apenas gostava do modo que eu te tratava; como ninguém nunca te tratou. Você não me amava, apenas me pedia para ficar, pra não perder aquela pessoa que não se importava em se entristecer pra te ver sorrir. Você não me amava, apenas se sentia importante quando via que, um dia sem você, era muito tempo pra mim. E eu? Eu te amo, desde o ínicio. Eu te amo, mesmo que doa. Eu te amo, mesmo sentindo tudo sozinho. Eu te amo, mesmo que hoje você diga que nunca quis me iludir.
Só ri de uma cicatriz quem nunca foi ferido.
“Quero lençol bagunçado, café na cama, cortinas bem abertas. Quero abraço apertado, mordida na bochecha, beijo demorado. Quero banco do passageiro ocupado, cinemas às quatro, tempo para nós dois. Quero seu riso estampado, seu cheiro espalhado, nossa música na rádio. Quero pintar nossa casa da mesma cor do nosso laço, colar você no meu abraço, fazer amor. Quero sussurrar no teu ouvido, ouvir seu pior ruido, que você seja meu livro mais lido. Quero, acima disso tudo, você numa sexta feira a tarde sem preocupações, nós a sós, dividindo nossas vidas em uma só.”—Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito para atingirmos um nível razoável de cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto. Os homens não melhoram e matam-se como percevejos. Os percevejos heróicos renascem. Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado. E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
”[Rodrigo] Ana, minha querida… Dizem que o amor acaba, que o amor termina, mas não é verdade. Nada acaba, tudo dura, continua e se transforma. Enquanto eu aguardava aquela cirurgia mil anos se passaram. As duas estavam lá dentro e eu pensava: se acontecer alguma coisa com elas eu morro. Dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça e por isso eu vi: vi vocês duas meninas chegando na nossa casa e nós três juntos, ainda pequenos, em tantos e tantos momentos. Vi você erguendo taças, troféus. Tua imagem na revista: inacessível! Distante da criança que eu era e que você era também. Depois a nossa fuga de casa, e o nosso medo, e a nossa coragem. E o salto sem rede que tantas vezes se chama amor. Vi você indo embora, sendo levada de diferentes formas… Tantas e tantas vezes. E depois vi você voltando. E no fundo dos seus olhos, como em um rio, tudo que a gente não tinha vivido. A partir daí eu me vi dividido entre dois amores, entre duas vidas. Uma que eu estava vivendo e outra que eu jamais tinha podido viver. Durante os meus piores momentos, enquanto eu aguardava naquela sala, como se a doença da nossa filha tivesse me curado, eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma. O que tinha sido vivido, o que tinha ficado para trás, tudo, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida e de um mesmo sentimento: AMOR. E foi então que eu vi: nós dois juntos, cruzando a fronteira!
[Ana] Como se eu tivesse alcançado a outra margem de um rio. O rio onde a gente se amou pela primeira vez, o rio do meu acidente, mas sempre um rio. E porque naquele momento eu precisava ser forte! Finalmente, sem escapes, eu consegui atravessar aquele rio eterno! Como se em um instante, eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim, me esperando. Do outro lado da fronteira, que sem perceber nós já tínhamos cruzado. Uma infância compartilhada, uma adolescência trocada, uma juventude não vivida! Do lado de cá: dois adultos maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado: feito de lembranças, de sonhos antigos. Porque há novos sonhos do lado de cá da fronteira! E agora… PODEMOS VIVER!
— (Presente no roteiro da novela A Vida da Gente, em 02/03/2011)
Layout retirado do site Blogskins, criado por fallingcloudberries, e adaptado por Certas Coisas.
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about me
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina
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”(..)Porque a vida é feita para ser vivida. Nada de se perder tempo reclamando dos obstáculos, das pedras. A verdade é uma só, passe por tudo com fé e coragem, quanto mais fé e coragem, menos os obstáculos e pedras duram, mais rápidos passam. Então, vá, viva, aproveite para se aventurar, ninguém ganha a vida, descobre coisas e conhece pessoas ficando parado. Viage muito, conheça novos lugares, culturas, curta os amigos, as festas, o amor, as emoções, a família e tudo de bom que a vida oferece, esqueça os medos e não faça os problemas maiores do que realmente são. A vida é uma só, não perca tempo, arrisque-se, qualquer coisa é melhor do que não fazer nada.”
Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. “Que cara bonita é essa?” Já logo no elevador. “Ah, devo ter dormido bem.” “Bom dia, bom dia.” “Olha, você está muito bonita hoje.” Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. “O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa?” Na cozinha perguntam: “novo amor?” No estacionamento perguntam: “voltou com alguém?” No restaurante, na hora do almoço: “é alguém novo?” Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito… é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu aguento ouvir”. Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua… São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca.
E eu serei forte, mesmo se tudo der errado mais uma vez.
Você não me amava, apenas gostava da minha presença quando todos te deixavam. Você não me amava, apenas gostava de ver que alguém realmente se importava com o seu bem-estar. Apenas gostava do modo que eu te tratava; como ninguém nunca te tratou. Você não me amava, apenas me pedia para ficar, pra não perder aquela pessoa que não se importava em se entristecer pra te ver sorrir. Você não me amava, apenas se sentia importante quando via que, um dia sem você, era muito tempo pra mim. E eu? Eu te amo, desde o ínicio. Eu te amo, mesmo que doa. Eu te amo, mesmo sentindo tudo sozinho. Eu te amo, mesmo que hoje você diga que nunca quis me iludir.
Só ri de uma cicatriz quem nunca foi ferido.
“Quero lençol bagunçado, café na cama, cortinas bem abertas. Quero abraço apertado, mordida na bochecha, beijo demorado. Quero banco do passageiro ocupado, cinemas às quatro, tempo para nós dois. Quero seu riso estampado, seu cheiro espalhado, nossa música na rádio. Quero pintar nossa casa da mesma cor do nosso laço, colar você no meu abraço, fazer amor. Quero sussurrar no teu ouvido, ouvir seu pior ruido, que você seja meu livro mais lido. Quero, acima disso tudo, você numa sexta feira a tarde sem preocupações, nós a sós, dividindo nossas vidas em uma só.”—Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito para atingirmos um nível razoável de cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto. Os homens não melhoram e matam-se como percevejos. Os percevejos heróicos renascem. Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado. E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
”[Rodrigo] Ana, minha querida… Dizem que o amor acaba, que o amor termina, mas não é verdade. Nada acaba, tudo dura, continua e se transforma. Enquanto eu aguardava aquela cirurgia mil anos se passaram. As duas estavam lá dentro e eu pensava: se acontecer alguma coisa com elas eu morro. Dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça e por isso eu vi: vi vocês duas meninas chegando na nossa casa e nós três juntos, ainda pequenos, em tantos e tantos momentos. Vi você erguendo taças, troféus. Tua imagem na revista: inacessível! Distante da criança que eu era e que você era também. Depois a nossa fuga de casa, e o nosso medo, e a nossa coragem. E o salto sem rede que tantas vezes se chama amor. Vi você indo embora, sendo levada de diferentes formas… Tantas e tantas vezes. E depois vi você voltando. E no fundo dos seus olhos, como em um rio, tudo que a gente não tinha vivido. A partir daí eu me vi dividido entre dois amores, entre duas vidas. Uma que eu estava vivendo e outra que eu jamais tinha podido viver. Durante os meus piores momentos, enquanto eu aguardava naquela sala, como se a doença da nossa filha tivesse me curado, eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma. O que tinha sido vivido, o que tinha ficado para trás, tudo, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida e de um mesmo sentimento: AMOR. E foi então que eu vi: nós dois juntos, cruzando a fronteira!
[Ana] Como se eu tivesse alcançado a outra margem de um rio. O rio onde a gente se amou pela primeira vez, o rio do meu acidente, mas sempre um rio. E porque naquele momento eu precisava ser forte! Finalmente, sem escapes, eu consegui atravessar aquele rio eterno! Como se em um instante, eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim, me esperando. Do outro lado da fronteira, que sem perceber nós já tínhamos cruzado. Uma infância compartilhada, uma adolescência trocada, uma juventude não vivida! Do lado de cá: dois adultos maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado: feito de lembranças, de sonhos antigos. Porque há novos sonhos do lado de cá da fronteira! E agora… PODEMOS VIVER!
— (Presente no roteiro da novela A Vida da Gente, em 02/03/2011)
Layout retirado do site Blogskins, criado por fallingcloudberries, e adaptado por Certas Coisas.
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